Bom, sou Gerson Carneiro de Souza, 19 anos. Gosto de fazer histórias e enfim...resolvi então fazer essa para esse blog.
Hope Woods se trata primeiramente sobre uma floresta perto de um reino onde surgem rumores da existência de uma bruxa. Preocupado, o rei manda um grupo de 6 pessoas para destruir investigar e eliminar a ameaça. No entanto, enquanto em missão, os 6 descobrirão coisas sobre seus passados, o passado de seus inimigos e do próprio reino que poderão mudar o rumo da missão.
Enfim...é isso.
Hope Woods
Capítulo I - A Caça à Bruxa
Há um reino chamado Kahn. Esse reino, estando sobre o comando do Imperador Atolic, era uma nação isolada do resto do mundo. Tratava negócios com outros reinos raramente, e produzia tudo para seu sustento próprio. Era bloqueado ao norte por uma imensa montanha que ninguém nunca teve coragem de tentar se aventurar. Ao oeste e ao sul era rodeado por um largo rio de nome Atlantis cuja correnteza tornava impossível para qualquer um atravessar, e cujas pontes eram constantemente vigiadas por guardas reais. Sendo assim, aqueles que eram condenados por seus crimes com pena de morte em Kahn e se aventuravam a fugir da prisão e escapar, só tinham um caminho para o qual correr: Hope Woods. Esta era uma floresta que ficava ao leste. Embora fosse a única esperança para os prisioneiros que se aventuravam a procurar outras terras, o imperador nunca mandou soldados para vigiá-la. Isso porque nunca ninguém havia encontrado outra saída de Hope Woods. A floresta era absurdamente extensa e todos que nela entravam para achar seu outro lado acabavam com duas opções: encontrar a morte dentro dela ou voltar depois de semanas para Kahn para lá ser executado.
Mas recentemente, Imperador Atolic começou a demonstrar preocupações com Hope Woods, a partir do momento em que rumores de uma bruxa ser vista no interior dela começaram a aparecer. Com isso, foi montado um pequeno grupo de seis guerreiros para entrar na floresta e eliminar a ameaça.
Após andar por um dia até chegar a Hope Woods e mais meio dia até achar um local plano, seguro e não muito longe da entrada e do rio, a comandante do grupo ordenou que armassem acampamento...
* * *
A menina abriu os olhos e a escuridão de sempre cobriu sua visão. Levantou a mão mas ainda não havia nada para segurar a não ser terra. Tentou ouvir a voz mas ela ainda não estava lá. Ficou então imóvel para viver mais um dia na escuridão.
* * *
As seis tendas do acampamento estavam erguidas e o sol estava quase se pondo. Um dos guerreiros, com cabelos longos e castanhos presos com uma pequena fita preta, os olhos castanhos claros, vestindo um longo manto preto e a bainha com a espada escondida atrás dele, estava sentado em um tronco de árvore caído, acabando de acender uma fogueira.
Do lado esquerdo dele estava sentado um guerreiro vestindo uma armadura leve cinza, com os cabelos pretos desarrumados e olhando para o chão, sentado enquanto se apoia em sua espada cravada no chão à sua frente.
E do outro lado um guerreiro de cabelos loiros e olhos castanhos, vestindo uma armadura pesada prateada, olhando para frente com um rosto sem expressão.
De uma das tendas saiu um guerreiro de físico forte, com cabelos castanhos, vestindo uma pesada armadura preta e carregando nas costas um escudo e uma espada.
Chegando, se sentou no tronco em frente do guerreiro de cabelos longos e soltou um demorado suspiro.
- Ahhhhhh! - ele falou. - Não acredito que finalmente vou conseguir descansar. Dá para imaginar? Andar por um dia e meio e depois ainda ser ordenado a montar uma tenda?
Ninguém falou nada, fazendo ele continuar:
- Mas isso não é problema. Quero dizer, somos soldados, não? É para isso que fomos treinados. Mas ainda, tem algo que me irrita mais. Receber ordens de uma mulher. Nunca pensei que teria de me sujeitar a isso. Ainda mais uma garota como ela. O que vocês acham?
O único a falar algo foi o guerreiro com o manto preto, que sorrindo, comentou:
- Não acho um problema. Afinal, ela é habilidosa, sabe comandar, é forte, além de ser bonita. Pessoalmente, me sinto confiante com uma comandante como ela.
- Bom, eu não me sinto assim... - ele se inclinou para frente. - Quero dizer, já não me casei para não ter uma mulher mandando e mim. E...sei lá...não foi para isso que me tornei soldado. Não sei se conseguirei levar a sério ordens de uma menina. Sinceramente, não acho que ela irá durar muito...
- É melhor falar mais baixo - uma voz feminina falou por trás dele.
Assustado, ele se virou rapidamente. Mas a mulher atrás dele não era a comandante. Era uma mulher loira, com os cabelos armados em uma trança e rosto gentil com olhos verdes. Ela vestia uma espécie de vestido branco, longo, dos ombros até os pés. Carregava na mão uma lança.
Ela deu uma risada ao ver o susto que havia dado.
- Se a comandante escuta você, creio que terá problemas - ela falou. - Ela parece ser uma mulher muito fria e provavelmente cruel. Bom, não sei. Talvez aplique castigos como pendurar encima de uma árvore e deixar que os ursos venham lhe devorar a carne. Espero sinceramente que você não seja ouvido. Não gosto de perder companheiros...assim tão rápido. - ela sorriu de novo, de um modo que pareceu cruel.
Deixando isso de lado, ela postou-se ao lado deles na fogueira. Ficou a ver o fogo queimar enquanto todos ainda estavam em silêncio. Até o guerreiro com o escudo havia ficado quieto, parecendo desconcentrado com algo.
Finalmente, de uma das tendas do fundo, saiu a última guerreira. A comandante do grupo tinha cabelos longos, pretos e ondulados. Carregava uma espada embaiada na cintura e vestia uma armadura leve azulada. Os olhos castanhos escuros eram frios.
Ela chegou perto do grupo, fazendo com que todos se levantassem e formassem uma linha na frente dela sem que ela precisasse ordenar nada. Passando por cada um e analizando-os, ela finalmente parou no meio deles e preparou-se para falar.
- Me chamo Sun Lune e tenho vinte e dois anos, como já devem ter sido informados - ela começou a falar, em tom alto. - Estarei no comando dessa missão e espero que cheguemos ao sucesso dela. Mas para isso, gostaria de saber exatamente com quem estou trabalhando. Sei que vossa majestade já me falou seus nomes, mas pedirei que se apresentem novamente. Bom...primeiramente...você. - ela apontou para o homem que falava dela antes.
- Meu nome é Drake Fargo senhora comandante! - ele falou, alto e nervoso, mantendo-se reto.
- Pois bem... - ela disse, indiferente. - Idade.
- Trinta e dois anos, senhora comandante!
- Corte o senhora, por favor... - ela pôs a mão na cabeça. - Enfim, tem experiência em batalhas?
- Estive em uma guerra senh...hã...comandante. Já estive em uma guerra antes.
- Ah, lutou na guerra?
- Não s...comandante. Eu...hã...eu não fui chamado. Mas eu tive o treinamento, comandante!
- Como? Quer dizer que é um novato?
- É..bom, de certa forma...
Sun suspirou. Fez sinal para que Drake se calasse e olhou para o próximo. O homem de cabelos pretos desarrumados.
- Pois bem, você. Nome.
- Grim Grave.
- Idade.
- Vinte e sete.
- Experiência.
- Sou um guarda do palácio.
- E...?
- Só, comandante.
Ela parou para algum momento, observando o rosto impassível de Grim.
- Bom, pelo menos, quem treinou você?
- Meu pai.
- E o que seu pai faz?
- Verdureiro.
Ela parou por alguns segundos e perguntou novamente:
- Quê?
- Ele vende verduras comandante.
Ela olhou-o esperando que ele dissesse que era uma brincadeira. O rosto de Grim porém continuou do mesmo modo que antes, fazendo-a desistir e passar para o próximo. O homem com o cabelo preso.
- Sei que isso vai parecer estranho, mas...pode se apresentar?
- Vlad Tempire, cara comandante. Vinte e Sete anos. Seu velho amigo a seu serviço. - fez uma mesura.
Sun baixou a cabeça e a balançou.
- Ok, ok - falou, impaciente. - Que seja. Agora o próximo é...você. - apontou para o homem de cabelos loiros.- Começamos por seu nome.
Ele nada falou.
- Idade?
Silêncio.
- Ah, comandante - a mulher loira ao lado dele falou. - Ele não fala.
- O quê? Espera, mas...isso é verdade?
Ele acenou a cabeça positivamente.
- Bom, você sabe escrever pelo menos?
Ele abanou negativamente. Sun suspirou e murmurou:
- Gostaria de pelo menos conseguir um nome.
- O nome dele é Iwazaru comandante. - respondeu a mulher de trança loira, sorrindo.
- Você o conhece?
- Mais ou menos.
- Bom, e quanto a você. Seu nome.
- Nani, comandante. Tenho trinta e cinco anos. Seria a mais velha daqui, mas Iwazaru tem trinta e sete.
- E sua experiência.
- Eu era guardiã de uma criança, comandante.
- Guardiã de uma criança? Como uma babá?
- É, comandante - ela sorriu. - Mas era uma criança problemática.
- E onde está a criança agora?
- Morta, comandante.
Sun parou. Olhou de novo para os membros de sua equipe.Baixou a cabeça e murmurou:
- O que sua majestade estava pensando?
- Comandante, importa-se se eu perguntar uma coisa? - Nani falou.
Sun a examinou e então ordenou:
- Fale.
- Espero que não me leve a mal, mas...A comandante não fica nervosa sendo a mais nova da equipe? - ela falou, sorrindo. Um sorriso vil.
- Não. - Sun respondeu firmemente. - Mas que bom que tocou nesse assunto. Perguntarei agora, e se ficarem calados, não vou tolerar reclamações futuramente. E podem responder sinceramente. Nesse momento, não haverá consequência. Algum de vocês tem algum problema com o fato de eu ser mais nova? Ou de eu ser uma mulher? - olhou para Drake na última pergunta.
Todos ficaram calados por alguns segundos. Drake pareceu estar tentando falar algo, reclamar. Mas parecia nervoso ou com medo. Percebendo isto, Sun dirigiu-se até ele e parou na sua frente. Encarou-o com olhos frios.
- Algum problema, Drake?
- N...n...não comandante.
- Ótimo então - falou se afastando de novo. - Sendo assim, não aceitarei reclamações desse tipo futuramente. Estou supondo que todos estão satisfeitos. Descansem por hoje, durmam. Amanhã nós sairemos para fazer um reconhecimento da área. Ficarei de guarda essa noite. Sintam-se livres para fazer o que quiserem, a partir de agora.
No que Sun terminou de falar, todos sairam de sua posição, enquanto ela retornava para a tenda. Uma vez lá dentro, ela tirou uma pequena caixa de metal de uma das sacolas que trouxe e ficou olhando, até ser interrompida por alguém que chamou de fora da tenda.
- Posso entrar comandante? - ouviu-se a voz de Vlad.
- Claro Vlad. E por favor, me chame de Sun como sempre.
- Mas você é a comandante - ele entrou e sentou-se na frente dela. - Não acho que seria apropriado chamá-la por seu nome, mesmo que nos conheçamos.
- Que seja. O que quer, Vlad? - ela falou impaciente.
- Comandante, vai mesmo ficar a noite toda acordada?
- Algum problema com isso?
- Não é isso. Mas se quiser que eu a ajude, ou fique para você.
- Tem medo que eu durma durante a noite, Vlad?
- Não, comandante. De modo algum. Mas você está provavelmente muito cansada. Andamos demais e...
- Vlad, estarei melhor acordada. Amanhã faremos um esquema para a vigia. Eu ficarei sozinha esta noite. Acredite, não estou com sono.
- Tudo bem, comandante. Só prezo por seu bem.
- Eu sei, Vlad. Agora me deixe sozinha por favor.
* * *
Durante a noite, Sun sentou-se na frente das tendas e pegou a pequena caixa de metal na mão. Segurou-a firme, abandonando a espada, cravada na terra. A lua no céu iluminava bem a floresta e ela podia ficar atenta a qualquer movimento. Inclinou a cabeça para baixo, sempre mantendo os olhos na pequena caixa.
- Pai. Se você estivesse aqui, ficaria orgulhoso de mim? Ou será que me criticaria? Afinal, onde você está? Eu queria te ver, queria que você me visse como comandante. Eu segui o que você sempre acreditou, a lealdade com nossa majestade. Pai, onde está você?
Ela limpou uma lágrima que escorria por seu rosto e olhou para o céu.
- Tsuki. Onde você está?
Outra lágrima molhou a terra abaixo de Sun.
* * *
Quando todos levantaram, Sun já tinha matado um coelho na floresta para comerem antes de partir. Após todos terminarem, e Drake reclamar da carne não estar bem assada, Sun os organizou para então adrentar a floresta.
Ela foi na frente, seguida por Drake e Nina, depois seguiam Grim e Iwazaru, seguidos por Vlad. Nessa formação, andavam ao comando de Sun, que passava por árvores cuidando atentamente os lados, esperando ver seu alvo, a bruxa. Ela não sabia como ela era, por isso ficava atenta a qualquer barulho que escutava. No caminho acabou matando cinco coelhos. Um urso que tentou atacá-la e foi cortado ao meio por Drake. Nina só observou a tudo sorrindo.
Depois de algum tempo andando e analisando as áreas, o grupo parou para descansar. Sun começou a passar um pote de água que havia pegado da parte do rio perto do acampamento para todos. Quando passou para Nina falou:
- Obrigada pela ajuda lá atrás.
- Não há de que comandante - ela bebeu um gole e então retornou. - Na verdade, acreditei em sua habilidade. De que eu não seria necessaria.
- Se você for mais rápida e impedir ferimentos desnecessários, eu não acharia um incomodo.
- Não queria interferir até saber como você luta.
- Era um urso, eu não ia lutar contra ele.
- Eu o matei comandante - Drake falou orgulhoso.
- E você quer o que? - Sun retrucou. - Todos vocês. - ela levantou. - Não estão aqui para ganhar prêmios nem gratidão. E sim para fazer seu trabalho. Se alguém reconhecerá isso depois, será sua majestade. Mas se não fizerem o que for possível. Se não fizerem tudo o que podem. Não podem se considerar soldados fiéis de Kahn e serão mandados de volta ou eu mesmo os mato aqui.
- Comandante - falou Vlad, levantando. - o som da água.
- Sim, estivemos seguindo o Rio Atlantis, então...
- Sim, eu sei. Mas esse som...está muito longe.
Sun levantou-se e foi até onde o local de onde o som vinha. Os outros a seguiram. Ela chegou perto da margem que deveria ser a margem direita do rio mas não o achou. Chegou mais perto e olhou para baixo visualizando um penhasco que levava para o rio muito abaixo.
- Subimos muito, nem percebi - Vlad estatou.
- Droga! - praguejou Sun. - Calculei mal. Havia mais subida do que pensei.
- No que isso muda? - perguntou Drake indiferente.
- Idiota! - Sun virou-se para ele quando gritou. - Precisamos de todos os detalhes. Estamos enfrentando uma provavel bruxa aqui. Essa batalha será provavelmente muito imprevisivel. Se vocês não entendem a gravidade da situação...
- Comandante! - Grim gritou de repente.
Ele jogou a espada que carregava no chão mas pareceu ter errado o alvo porque olhou preocupado para onde o alvo provavelmente se dirigia.
Ninguém viu nem sabia no que ele havia mirado até uma serpente saltar do mato alto e pular na direção de Sun. Ela tentou cortá-la com a espada mas desequilibrou-se e caiu para trás, caindo do penhasco em direção ao rio. Todos correram para olhar só para ver que ela já havia sido levada pela água.
- Comandante! - gritou Drake. - Comandante Sun!
- Cale a boca - ordenou Vlad. - Ela se foi. Levada pelo rio.
- Ela morreu? - perguntou Nina, ainda sorrindo.
- Não mesmo. - Vlad discordou. - Sun está viva com certeza. - ele também sorriu. - Seria preciso mais do que uma queda para acabar com aquela garota. Vamos continuar fazendo o que podemos até que ela volte.
Grim caminhou até onde havia atirado sua espada e a retirou da terra.
- Esperá-la voltar? - ele perguntou. - Não vamos procurá-la?
- Aquela garota provavelmente terá mais chances de sobreviver do que nós se formos buscá-la. Acredite em mim, eu a conheço. Ela está bem.
Grim embaiou a espada nas costas e começou a andar para dentro da floresta.
- Eu vou atrás dela. Vocês podem voltar ao que estavam fazendo.
- Se você quiser, pode ir. Não sou um comandante e não serei eu a dar ordens. - Vlad falou e deu um passo à frente. - Saiba, porém, que isso não foi sua culpa.
Grim parou por um segundo e então, sem falar nada ou fazer algum gesto, seguiu em frente, adentrando a floresta.
* * *
Sun conseguiu segurar-se em uma rocha no caminho e encaminhou-se para a margem esquerda do rio. Com dificuldade, conseguiu deitar-se sobre o mato molhado. Ficou algum tempo deitada ofegando e olhando para o céu.
"Droga." pensou. "Isso sim foi descuido"
Ela levantou e olhou para os lados. Segurou o cabelo molhado e tirou dele o máximo de água que conseguia. Olhou para o outro lado do rio. Para retornar ao acampamento, precisaria atravessá-lo. Olhou para a correnteza violenta que a empurraria para frente se entrasse nele. Vendo não haver outra solução, decidiu aventurar-se a achar um caminho pela floresta.
Tentou encontrar algo que lhe desse idéia de como atravessar para o outro lado do rio. Porém, quanto mais pensava na possibilidade, mais impossível parecia. Depois de tanto andar, decidiu-se por descansar um tempo sentada ao pé de uma árvore. Já havia andado bastante, sempre cuidando para não se afastar demais do rio.
Pegou um pote que havia enchido de água e a bebeu. Sentiu uma pancada na cabeça e olhou para o chão no exato momento que uma maçã rolava. Ouviu uma risada feminina acima de si.
Levantou-se e olhou para o alto da árvore. Sentada sobre um dos galhos estava uma jovem garota de cabelos vermelhos e lisos muito compridos, tanto que colocados para frente, da maneira que estava, alcançavam seus pés. Ela tinha olhos muito escuros, com um brilho sobrenatural. Vestia-se com um vestido vermelho que cobria de seus ombros até onde começam os pés. Acima de si uma serpente, que Sun constatou parecer a mesma que havia provocado sua queda, se enrolava em alguns galhos enquanto observava quietamente para baixo.
- Você! - gritou Sun, se pondo em guarda com sua espada. - Você é a bruxa!
- Ora... - a voz de cima desceu até Sun, melodiosa. - Uma bruxa? Eu? Que rude!
Sun empunhou mais fortemente a espada e cerrou os dentes.
- Oh, entendi. Essa foi a ordem de sua majestade, não? Destrua a bruxa. Ah, ele nunca aprende. Mas sim, creio que sou bruxa de certo modo.
Ela desceu da árvore, deixando a serpente sozinha lá encima. Ao chegar mais perto, Sun percebeu que era uma jovem com aparentemente uns quinze anos.
A bruxa aproximou-se da comandante e tocou-lhe uma mecha de cabelo, fazendo-a recuar com pressa. Ela deu uma leve risada e continuou a falar.
- Medo? Bom, eu entendo de certa forma. - jogou os longos cabelos para trás do corpo. Deu uma mordida em uma maçã que tinha na mão. - Mas sabe, comandante Sun, não quero lutar com você agora. Para falar a verdade, estou interessada em saber como você luta e se poderia usar isso a meu favor. Também tenho interesse em alguns membros de sua equipe. Então, por favor, não morra até que eu a venha encontrar novamente.
Após uma brisa forte que fez com que Sun protegesse os olhos, a bruxa desapareceu. Olhando para cima, a comandante percebeu que a serpente também havia sumido. No entanto, não relaxou. Começou a andar pelas árvores novamente com um cuidado para com cada barulho que ouvia. Embora tivesse achado ser sincero o que a garota de cabelos vermelhos falou.
Após duas horas de caminhada, Sun novamente sentiu-se cansada. Sentou-se encostada a uma árvore e novamente começou a tomar água. Foi quando ouviu barulhos que pareciam vir debaixo da terra.
Curiosa, ela começou a identificar de onde vinham os ruídos. Tocando levemente com a espada ela seguiu o som e acabou achando um local onde a terra parecia estar mais macia e parecia oca. Encostou a cabeça no chão e tentou escutar melhor. Para sua surpresa, ouviu uma voz de criança que parecia cantarolar.
- Oi! - gritou Sun se sentindo uma idiota. No entanto, após alguns segundos chegou a resposta de uma voz infantil.
- Oi?
Espantada por imaginar que alguém poderia viver embaixo da terra, Sun ficou algum tempo sem ação. Pensou que poderia ser um truque da bruxa. No entanto, sua curiosidade venceu por fim.
- Você está mesmo aí? - ela perguntou.
- Aí onde?
- Embaixo da terra.
- Que terra?
Confusa, Sun levantou-se.
- Espera um pouco! - ela gritou.
Então, planejou cavar um buraco usando sua espada para descobrir quem estava lá dentro. No entanto, com só um golpe da espada no chão, a terra cedeu e ela desabou junto...
Quinta-feira, Janeiro 22
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2 comentários:
Caramba... Essa foi provavelmente a melhor fic que lerei durante um bom tempo. É divertida, você sente a aventura transcorrer sem problemas, sempre acompanhados de uma leve dose de humor. A narração está perfeita, você não fica confuso em trecho algum. As falas são bem desenvolvidas, mostram as características dos personagens tornando fácil identificá-los; e o melhor, são falas longas, você se sente como num verdadeiro livro de fantasias. Na verdade, eu acho inclusive que falta pouquíssimo para se tornar um escritor profissional, apenas um vocabulário maior e correção de pequenos erros te darão a aptidão necessária. Isso surgirá enquanto continua a história. Nota: 9.7.
Uma história muito interessante, os erros são mínimos, o que é normal, boa narrativa, uma aventura cheia de surpresas, eu nem imagino como vai terminar, estou ansiosa pela continuação.
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