No capítulo anterior, Dark e Natasha chegam na casa de Rufus, mestre de Dark, porém, se surpreendem ao saberem que Rufus morreu no ano passado. A filha dele, que também se chama Natasha, parece esconder algo, além de ter começado a se comportar de forma estranha após a morte de seu pai. Enquanto Dark ficava no gramado olhando o céu, chocado com a notícia, um estranho homem apareceu.
Dark vs. Natasha
O estranho homem, que está uns seis metros de distância da casa, gritou:
-Aê velho, vem logo aqui me ensinar como lutar!
Depois de alguns segundos de silêncio, sem mostrar sua cara, Natasha filha de Safira fala com um tom grosso:
-Por que quer que eu te ensine algo?
Dark pensa que o homem não acreditará que é seu mestre falando, mas ele responde mesmo assim:
-Eu quero bater em uns caras que me zoaram, mas são muito fortes.
-Por essa razão não irei fazer nada por você.
-Não me venha com brincadeiras, me ensine de uma vez.
-Então... - Natasha mostra a sua cara pela janela - Me derrote que eu pensarei no seu caso.
O homem ficou rindo e Dark estranhou completamente, pensando que ela estava brincando.
A menina pula pela janela e bate o joelho no chão, então grita:
-Argh! Ainda preciso treinar meu pouso...
-Hahahahahahaha. Você quer morrer é? Não precisa usar uma garotinha, simplesmente apareça, velho.
-Não me subestime!
Ela corre em direção ao homem e ele a pára com a mão esquerda. Safira sái pela porta e grita:
-Não lute! Está correndo perigo!
Dark se levanta e grita também:
-Fuja! Não adianta lutar!
-Isso! Moço! Fuja!
-Hã!?
A menina faz um sorrizo sínico e tira um pequeno revolver do bolso da saia. Dark se surpreende e Safira grita para ela parar. O homem se assusta. Ela o atira e começa a correr para longe, mas o que o acertou foi um metal comprido com uma ventosa. O homem ri e tira. Safira fala para não tirar, mas já era tarde. Ao ter tirado, a ventosa sai do pequeno metal e o homem é eletrizado pelo corpo inteiro. Natasha olha para o corpo caído e queimado e diz:
-Você foi derrotado por uma garotinha, pelo visto não tem chances de lutar com essas tais pessoas. - Ela vira para sua mãe - Não se preocupe, ele não está morto, mas ficará desmaiado por um tempinho. Quando acordar sairá daqui rápido, hehe.
Dark pensou:
-Mas é claro, ela é a filha do mestre...
Depois dessa luta, Dark ficou melhor, então aproveitou para fazer uma entrevista na sala de estar com Natasha, para saber mais de seu passado.
-Quando você foi mordida?
-Quando eu tinha uns oito anos.
-O que houve enquanto atacaram você e sua família?
-Estávamos dormindo, quando percebi meus pais tinham sumido.
-Como tem certeza de que foram vampiros que os atacaram?
-Quando acordei metade da casa estava esmagada, um humano normal não faria isso.
-Sabe, é estranho que você só possa ver vampiros, não percebeu nenhuma outra mudança em seu corpo?
-Meu corpo ficou mais pesado. Mas retirando o poder de ver vampiros não tenho mais traços de vampiros.
-Meu mestre também podia ver vampiros, iria perguntar porque mas vejo que não dá... Tem alguma coisa que queira me dizer?
-Eu... Poderia ser treinada?
-Hum?
-Se eu não tenho traços de vampiros mesmo podendo vê-los, será que tenho mais poderes escondidos?
-... Bem, ver vampiros é o básico de ser um. Talvez tenha certeza, mas não sei como fazer algo para te ajudar...
-Você não se lembra de como foi treinado?
-Ele só me ajudou a melhorar minhas habilidades, nad de especial, mas foi melhor do que nada.
-E esse bastão? Ele que o fez?
-Numa manhã, quando eu acordei, ele apareceu com esse bastão falando que tinha meus poderes. Não sei ao certo o que ele fez, não pensei em perguntar sobre isso na hora. E... Lembro que me senti mais leve quando acordei nesse mesmo dia.
-Então...
-Se eu soubesse o que ele fez, poderia fazer o mesmo com você e... Não.
-...?
Dark ficou calado por um tempo e saiu novamente para fora. Natasha estranhou e continuou sentada no sofá. Dark vê Natasha, filha de Safira, sentada olhando o céu. Ele senta no lado dela, ela olha torto e diz para ficar longe. Ele pergunta:
-Você me odeia, né?
-...
-Foi porque falei que foi você que roubou o fruteiro?
-Eu simplesmente te odeio.
-... Você realmente se parece com o mestre... Ah, me desculpe, não queria...
-Não ligo.
-Hum? Você não gostava dele?
-Eu também o odeio. Assim como odeio você, Safira, sua amiga, o Jango e o resto.
-Jango? O fruteiro?
-Ele sempre me acusa de roubar suas frutas podres, Safira me trata como se eu estivesse mentindo, sua amiga é boba...
-Concordo.
-... E Rufus gosta mais de você do que a mim.
-Ah, tem inveja de mim?
-Só não gosto de você.
-Para alguém que me odeia tanto, até que conversou bem.
Ela se levanta olhando com bastante raiva e aponta a mesma arma para ele. Dark pergunta:
-Você quer lutar comigo?
-Só quero que você sofra, filho da mãe.
-Para uma criança você tem um jeito bem "adulto".
Ele se torna em vampiro. Rapidamente Natasha atira a mesma bala com ventosa nele. Dark dá um pequeno riso e corre na direção dela. Ele diz:
-Não pense que irei pegar leve por ser uma garota.
-Mas está.
Ele estranha, então um pouco antes de bater nela com o bastão, o braço fica pesado e não consegue fazer o movimento. Ela continua parada e diz:
-Três segundos, tenho que melhorar.
-Meu corpo está... Ficando pesado... O que você atirou?
Ela fica quieta. Enquanto Dark, aos poucos, se ajoelhava, Natasha colocava uma bala de verdade no revolver.
-Você é realmente fraco, Rufus não deve ter te ensinado nada.
Safira ouve um barulho de um tiro, olha pela janela da cozinha e vê sua filha com a arma apontada para o chão, ela estranha, até ver a grama amassada e imagina ser Dark. Natasha, na sala, se assusta com o barulho do tiro. Imagina ser a filha de Safira, então não liga. A garota fica impressionada com Dark, que levantou a mão. Ela diz:
-O veneno deveria durar mais tempo...
-Não duvide... Dos ensinamentos de seu próprio pai.
Ela sorri e diz:
-É, talvez tenha razão. Mas mesmo assim, você é muito idiota.
O braço de Dark cai novamente, Natasha estranha, pois achou que ele tinha superado o veneno. Dark pensa:
-Se eu tentar tirar as balas, será que tomarei um choque? Aquilo realmente fará a minha parte humana em perigo, mesmo não tendo matado aquele homem. Porque essa garota não tem medo de acabar me matando? Ela não sabe que se minha parte humana morrer eu me tornarei totalmente em vampiro?
Enquanto pensa, ela coloca mais uma bala de verdade no revolver. Ele percebe e tenta levantar seu braço, mas não consegue. Ela diz:
-No último tiro você deve ter usado pouca energia que podia usar somente para levantar seu braço. Agora não terei erro. - Ela aponta a arma novamente na face dele - O que fará agora?
Dark tenta arriscar tirar a bala, mas ela diz:
-Se tirar tomará um choque tão grande que ficaria como aquele moço. Então eu o atirarei e morrerá da mesma forma. - Dark fica assustado pois soube que ela o matará mesmo - Eu sou Shadow...
-Hum...?
-E esse é meu ataque final.
-C-Como sabe que eu lutei com ele?
-Percebi pelas ataduras. Os únicos que lutam dando cortes nos seus inimigos são Shadow e Sword, mas imaginei que fosse Shadow, pois se tivesse lutado com Sword... Estaria pela metade...
-Mas... Como conhece eles?
Fim do 12º capítulo.
...
BÔNUS
Os bônus serão simplesmente textos pequenos com alguma informação ou piada. Talvez acabe tendo algum spoiler, o que tentarei não colocar.
Começando:
Ele entra numa sala com uma placa na porta "diretor". Ele vê uma estante com vários livros, pega um com o título "Dimension", abre e lê um trecho:
"- Srta. Fourtine, recebemos um alerta, parece que as tropas do D.o.V estão perto daqui. Começar plano de evacuação?
- Quem é D.o.V - Perguntou Ed."
Dark pára de ler por um instante e diz:
-D.o.V? Essa sigla não me é estranha... D.o.V... Degree of Vampire... FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU-
domingo, março 15
domingo, março 1
Hope Woods - Capítulo III - Noite Na Floresta
Capítulo III - Noite Na Floresta
12 Anos Atrás
Com dez anos, Sun estava sentada sobre a humilde mesa da pequena cozinha de sua casa, desenhando em uma folha. Sua mãe lavava a louça do almoço ao seu lado, na pia. Os cabelos negros pretos amarrados, as mãos cheias de sabão. Ela olhou para a filha e sorriu. Seu pai tinha chegado a pouco tempo de uma missão. Estava sentado sobre o sofá na sala que era junto com a cozinha escorado em sua espada que tinha a lâmina em direção ao chão.
Sun havia desenhado seu pai empunhando a espada e estava pintando quando batidas soaram na porta.
- Lana Lune. Aqui é o exército de Kahn. Tem um minuto para vir até aqui fora, antes que sua casa seja invadida. Você está cercada.
Os olhos de Lana viraram-se apreensivos para a porta. Sun, sem saber o que estava acontecendo, parou de desenhar, nervosa. Seu pai, confuso, se pôs de pé e olhou para a esposa, ainda segurando a espada...
- Lana? - ele falou. - O que é isso Lana? O que aconteceu?
- Sinto muito, querido. - ela falou, sorrindo.
- Seja o que for, se entregue. Seja o que for que tenha feito, eu vou ajudá-la. Falarei diretamente com sua majestade. Por favor Lana, não...
Mas antes que ele pudesse terminar de falar, Lana rapidamente tirou uma pequena faca de sua roupa e agarrou agressivamente o braço da filha, puxando-a para perto e pousando a faca perto de seu pescoço.
- Sinto muito, Sun. - ela disse, com uma expressão triste.
Lana começou a andar em direção a porta dos fundos, carregando a filha consigo. Seu marido já havia empunhado a espada e a acompanhava vagarosamente, cauteloso, com medo de que sua filha pudesse se ferir.
- Lana, isso é loucura - ele falou. - Solte Sun. Venha comigo. Vamos ao castelo e vamos esclarecer tudo isto.
Ela meneou a cabeça negativamente.
- Me desculpe - ela disse. - Se ainda eu não tivesse... - parou para pensar por um tempo, e então retomou sorrindo: - Não, estou feliz que tenha sido assim.
Assim que chegou perto da porta, atirou Sun para sempre, fazendo o marido correr para segurá-la, permitindo sua escapatória. Sun e o pai ficaram sozinhos. Ele agachado segurando a filha. Enquanto escutavam a luta do lado de fora.
Presente
- Sinto muito comandante - Grim desculpou-se.
Sun fitou ainda por algum momento o rosto branco do cadáver de sua mãe. Depois, limpou as lágrimas que começavam a aparecer e deitou carinhosamente o corpo morto de longos cabelos negros no chão. Levantou-se, e, esfregando os olhos uma vez mais, virou-se para Grim.
- Tudo bem, esqueça. Estava morta já. Ela morreu a muito tempo.
Yuki aproximou-se, curiosa, olhando de longe todos aqueles cadáveres brancos no chão.
- Morta? - ela indagou. - O que significa isso?
Grim abriu a boca para responder, mas parou quando viu Sun se abaixar em frente da menina.
Sun a olhou, ainda com os olhos marejados. Suspirou e respondeu a pergunta da menina:
- Significa, Yuki, que ela foi embora. E nunca mais voltará.
- Mas ela está ali - discordou Yuki, apontando para o corpo.
Sun abanou a cabeça para os lados.
- Ela não está ali. Aquilo é onde ela estava. Como uma casa.
- Como o buraco?
- Mais ou menos.Yuki, uma pessoa que morre nunca mais poderá falar. Nunca mais poderá comer, andar. Fazer nada.
- E por que isso? Por que pessoas morrem?
Sun levantou e fitou as árvores a sua frente.
- Por quê? Também imagino: por quê? - ela então dirigiu-se a Grim. - De qualquer modo, vamos andando. Precisamos achar um modo de voltar para o acampamento.
E os três seguiram para dentro da floresta.
* * *
- Nos encontramos então.
E após falar isso, uma garota de cabelos vermelhos e olhos negros desceu da árvore vestindo um vestido vermelho como seus cabelos.
- Prazer em conhece-los. Ou quase isso. Dirijam-se a mim como Ártemis, se é uma bruxa que procuram.
- Impossível - Nani gritou, ainda sentada, olhando espantada para a garota.
Iwazaru também parecia espantado.
Vlad no entanto ignorou os companheiros e tomou a dianteira, com a mão escondida embaixo do grande manto preto. Órion estava bem a sua frente, em guarda, mas sem fazer uma única tentativa de ataque. Esperava pacientemente enquanto a garota seguia para seu lado.
- Encontrei uma amiga sua. Sun, eu acho. É, isso mesmo. Embora ela não tenha tido a educação de se apresentar - Ela sorriu maliciosamente. - Quanto a vocês. Alguns eu não conheço. Outros dispensam apresentações. De qualquer forma, estou sem tempo. E não quero aprender nomes de inuteis de qualquer modo. Portanto, lutem com Órion. Quero saber se me serão uteis de algum modo.
Falando isso, ela deu alguns passos para trás e esperou que Órion começasse o ataque. Vlad se pôs mais na frente, deixando claro que seria o oponente. Quando Órion avançou para o primeiro ataque, Vlad desviou e tirando a mão direita escondida em seu manto aplicou um golpe com a espada que foi barrado pela espada do oponente.
- Este modo de luta. Não é um pouco covarde? - Órion estatou.
- Não luto por honra. Tenho coisas mais importantes para proteger - falou Vlad sorrindo.
Escondeu novamente os braços dentro da manta e dessa vez quando atacou, usou o braço esquerdo. Por pouco não atingiu o inimigo. Não saber de qual dos lados viria o ataque aparentemente estava deixando Órion confuso.
O grande guerreiro recuou e estudou Vlad. Este avançou novamente, novamente atacando e sendo bloqueado com o braço esquerdo. Órion bloqueava todos os ataques de Vlad, mas não tinha oportunidade para atacar. De modo que tentava se manter distante para aproveitar alguma chance. Como era muito pesado, também achava díficil desviar-se.
A bruxa sorria de longe, ao ver a luta. Não percebendo os olhos de Nani e Iwazaru que a olhavam espantados ainda. Drake, que se aproximara dessa vez, havia ficado em guarda logo atrás do local onde a batalha acontecia.
Mais um ataque com a direita que Órion bloqueou com a espada. Vlad imaginava se, mesmo acertando, seu ataque teria algum efeito naquela armadura. Mas seus pensamentos mudaram quando errou por centimetros no último golpe e a espada do inimigo passou raspando ao seu lado. Aquele golpe teria sido fatal. A força física de Órion era impressionante.
Vlad recuou e parou,observando o inimigo. Atento a qualquer movimento seu.
- Impressionante essa força. Mas força física não é tudo, sabia? Seu ataque é muito lento. - ele sorriu.
- Força física? - Drake falou, logo atrás de Vlad. - Então deixe esse comigo.
Falando isso, ele saiu investindo com a espada em Órion.
- Não, idiota! - gritou Vlad.
Mas era tarde. Antes da espada de Drake atingir Órion, a espada de Órion havia esmagado parte da armadura preta de Drake perto da barriga, e sangue pingava no chão.Quando Órion tirou a espada, Drake se jogou ao chão, gemendo de dor. Vlad correu para salvá-lo, mas o inimigo já havia guardado a espada por um pedido da bruxa.
Vlad segurou Drake e começou a carregá-lo para o interior de uma das tendas.
- Esse é inútil - falou a garota. - Mas você, guerreiro - apontou para Vlad. - Você me pode ainda ser útil. De qualquer modo, estou indo por agora. Você virá comigo?
Ela apontou para alguém além de Vlad. E seguindo o olhar de Nani, ele percebeu que era Iwazaru, que estava de pé.
Vlad parou no caminho para a tenda e observou seu companheiro ir em direção à bruxa. Nani nada falou, mas olhava preocupada. Iwazaru parou diante da garota com os longos cabelos vermelhos e se curvou. Ela tocou sua cabeça e seus cabelos loiros e sorriu.
- É bom vê-lo de novo também, meu guerreiro, Iwazaru.
Perplexo, Vlad tentou falar. Mas percebeu que não havia o que dizer. Ainda com Drake apoiado em si, viu quando a garota, Órion e Iwazaru sumiram entre as árvores da floresta.
* * *
Estava quase anoitecendo e Grim, Sun e Yuki ainda andavam pela floresta, sem idéia de para onde seguir.
- Está escurecendo. Será melhor acharmos algum lugar para passarmos a noite logo. - estatou Sun.
Yuki continuava fascinada por tudo ao redor para perceber, mas Grim concordou com a comandante.
- Vamos encontrar algum lugar onde poderemos vigiar ao redor, seguros.
Por alguns minutos mais andaram, até Yuki chamar atenção.
- O que é aquilo? - falou ela apontando para um lugar que parecia um pequeno lago.
Ao chegarem perto, Sun colocou a mão na água e a tirou.
- Está quente. Uma fonte de água quente. Nesse lugar. É estranho.
- Podemos ficar aqui. - concordou Grim, olhando ao redor. - É um bom lugar, e parece seguro.
- Sim - Sun concordou ainda olhando para a fonte. - Esse lugar me dá vontade de... Yuki - chamou. - Quer tomar um banho?
- Banho? O que...
- Esquece, venha aqui.
Sun pegou a garota pela mão e levou-a até a água da fonte.
- Soldado Grim - ela falou. - Não preciso falar, mas, não se vire para cá.
Grim somente cravou sua espada e sentou-se no chão, olhando para a direção oposta da fonte. Já estava escuro, mas uma estranha luminosidade saia da água.Despindo-se da armadura e da roupa e ajudando Yuki a retirar seus trapos velhos e imundos, Sun entrou na água, trazendo a menina consigo, monstrando onde era raso para ela poder ficar. Sun mergulhou a cabeça, levantando de novo com os cabelos molhados. Yuki a viu e a imitou, achando aquilo engraçado. Os cabelos compridos de Yuki tamparam seu rosto. Ela começou a dar risada. Sun a observou e sorriu.
- Sabe, seria melhor lavarmos aqueles seus trapos sujos também.
Falando isso ela saiu da água para pegar a roupa de Yuki e lavá-la.
- Quando voltarmos, eu arrumo uma roupa para você. - falou, enquanto lavava aqueles panos.
- Eu vou morar com você? - perguntou Yuki, retirando os longos cabelos castanhos do rosto.
Sun parou, pensativa e espantada.
Morava sozinha, mas nunca tinha imaginado ter uma criança morando na mesma casa. Até onde sabia, não gostava de crianças.
- Eu...não sei. Quando voltarmos podemos decidir isso. Há orfanatos no reino também.
- Orfanatos?
- Esquece...
Ficaram por algum momento na água. Tempo suficiente para a roupa de Yuki ficar menos húmida. Sairam da água e vestiram as roupas de novo, Sun demorou um pouco para recolocar toda a armadura. Seus cabelos ondulados estavam agora lisos pela água.E Yuki carregava um pouco dos cabelos pesados.
- Gostaria de ter uma toalha - falou Sun, ao se sentar, perto de Grim.
- Vocês podem dormir quando quiserem, fico de guarda hoje. - ele falou.
- Você não precisa ficar a noite toda acordado, eu...
- A comandante ficou a noite acordada. Deve estar com sono.
Sun o olhou pensativa. Por fim concordou.
- Tudo bem soldado. Aceito desse modo.
Sun e Yuki deitaram em um gramado ali perto. Yuki chegou-se mais perto de Sun, embora incomodada, a comandante não falou nada. Após alguns minutos, nenhuma das duas havia dormido ainda.
- Estão sem sono? - perguntou Grim.
- Como sabia que não estava dormindo? - perguntou Sun.
- Eu percebo.
- Estava pensando em Kahn. Em meu pai. Em...
- Sua mãe?
- Sim...
- Disse que seu pai desapareceu?
- Sim. Já faz algum tempo. Foi na época que a princesa de Kahn desapareceu também. Você lembra disso?
- Snow... - Grim baixou os olhos.
- Snow, isso mesmo. A princesa desaparecida. Meu pai desapareceu naquela época. Eu tinha doze anos. Acho que deve haver alguma ligação.
Grim olhou para sua direção.
- Seu pai tinha alguma relação com a princesa Snow?
- Ele era um guerreiro do reino. Mais do que isso. Ele era a pessoa mais próxima de sua majestade. Fora sua família, é claro. Meu pai uma vez salvou a vida da filha dele.
Grim ficou pensativo. Yuki olhava e escutava a conversa, em silêncio, pela primeira vez. Sun parecia triste quando lembrava do passado. Grim, por algum motivo, também parecia.
- Minha mãe... - Sun voltou a falar. - Ela traiu Kahn. Não posso perdoá-la. Eu a odeio. A odeio. Mas...Quando vi ela lá. Daquele jeito. Eu...
Ela ficou em silêncio. Grim nada falou em consideração. Entendia o dilema de Sun. Era uma guerreira de Kahn. E era ensinada a amar o reino acima de qualquer coisa. Era essa a regra para Kahn. Uma lugar perfeito, ninguém tinha o direito de odiá-lo. Pelo menos era o que tentavam passar.
- Meu pai já esteve no exército de Kahn também - Grim falou.
- Por que ele saiu.
- Não sei direito. Mas ele não me deixava entrar. Ele só concordou porque...
Ele parou. E dessa vez foi Sun que ficou em silêncio. Havia, obviamente, algo que Grim ficava triste ao lembrar. E Sun imaginou que não era hora de perguntar o que era. E não era do assunto dela também.
A comandante olhou para o rosto já adormecido de Yuki. A menina estava em sono profundo. Provavelmente apreciando por não ter que dormir outra noite em um buraco apertado. Ela passou a mão pelo cabelo da menina, afastando uma mecha de seu rosto. Mas tirou-a logo, assustada por ter feito aquilo.
- Soldado.. - ela falou, mais baixo agora para não acordar Yuki. - Você já matou alguém? Alguém vivo, quero dizer.
Grim meneou a cabeça, negativamente.
- Eu já. Quando fui virar comandante, fui obrigada a matar um prisioneiro. É uma espécie de teste, ou algo assim. Ele estava vestindo máscara. então não vi seu rosto. Mas o que me assustou foi que...foi fácil demais. Foi simplesmente jogar a lâmina da minha espada no peito dele. Eu tinha consciência de que uma vida estava sendo perdida. Mas não era a minha, então eu não conseguia sentir a seriedade daquilo. Parecia algo tão...comum.
- Eu acho que saber se é comum ou não vale mais do que sentir - Grim falou.
- É comum. Quando alguém morre, sua vida acaba, simples. Não deveria ser algo triste para ela. Ela não vai mais sentir. Ainda assim...
- Comandante. Você devia estar falando assim?
Sun parou. Pensou e respondeu:
- Você tem razão. Era uma ordem de Kahn. Inquestionável.
- Algo assim, imagino...
- Vou dormir, soldado.
- Boa noite, comandante.
* * *
Nani estava ao lado do ferido Drake. Uma atadura amarrava seu corpo encima do ferimento. Ela o observava, desdenhosamente. Mas ainda sorria, não um sorriso satisfeito, mas irônico.
- Sou uma babá novamente então, hein...
Ignorando os gemidos do companheiro ferido, Nani saiu da tenda, bem a tempo de ver Vlad partindo.
- Ora - ela disse. - Quem está saindo no meio da noite?
- Nani... - Vlad virou-se para ela, o rosto parecia preocupado. - Estou indo atrás de Sun.
- Ah, é isso. Onde está aquela confiança que você tinha mais cedo de que sua amiguinha podia lidar com qualquer coisa?
- Até aquele momento ela podia. Mas estou preocupado agora...com Iwazaru.
- Ah...
Nani deu dois passos para frente para ver Vlad melhor.
- Se fossem só os inimigos, Sun daria um jeito. Mas Iwazaru. Ele é um soldado. Ela acha que ele está sob suas ordens. Podem usá-lo para atacá-la de surpresa. Bom, é isso que eu faria se fosse nossa inimiga afinal. E ela sabe onde Sun está. Sozinha, ela estará em problemas. Ainda se eu soubesse se Grim a encontrou.
- E suponho que devo ficar sozinha com esse peso morto enquanto isso?
- Você protege o acampamento Nani. Até que voltemos. E também...
Ele encarou Nani. Ela estava sorrindo, ele não.
- Tenho a impressão de que você sabe de algo sobre tudo isso. Mas não vai me contar, vai?
Nani balançou a cabeça negativamente.
- Então fique por aqui. Não será de ajuda nenhuma indo junto. Certifique-se que Drake se cure. Podemos precisar entrar em batalha logo.
- Contra ela? - um leve sinal de preocupação percorreu o rosto de Nani. Não precisou dizer a quem "ela" se referia.
- Sim. Algo contra?
- Será um prazer. - ela falou, sorrindo novamente.
- Então estou indo - Vlad se virou. - Tente não fazer nada até eu e comandante Sun voltarmos.
Após Vlad desaparecer entre as árvores, Nani sussurrou, com uma risada maliciosa:
- Se voltarem...
* * *
Grim começou a sacudir Sun no meio da noite:
- Comandante...comandante, acorde.
Sun abriu os olhos.
- Há alguém aqui perto. Há um vulto entre as árvores. Eu o vi umas três vezes.
Sun levantou rápido e segurou sua espada.
- Deixe isso comigo soldado, mas será melhor que venha junto para vigiar que eu não sofra nenhum ataque por trás. Agarre Yuki, não podemos deixá-la aqui.
- Devo acordá-la.
Sun olhou para a menina que dormia com uma expressão tranquila no rosto.
- Não...tente deixá-la dormindo.
Gentilmente, Grim levantou Yuki no chão e carregou-a no colo. Não conseguiu segurar todo seu cabelo, que ficou esvoaçando com o vento da noite.
Seguiram para a direção que Grim havia indicado. Sun na frente, segurando sua espada em posição de ataque. Atravessaram as árvores e penetraram em uma parte mais fechada da floresta. Grim cuidava para que nenhum galho batesse em Yuki e a acordasse. Ao mesmo tempo que cuidava para que não sofresse um ataque surpresa.
Em algum momento, Sun visualizou um vulto e seguiu correndo para sua direção. Grim a seguiu, mais cuidadoso. As árvores estavam ficando mais fechadas, e o caminho mais díficil de passar. Mas Yuki dormia em paz, mesmo no meio daquilo tudo. A luz da lua não os alcançava naquela mata fechada, e estava tudo em escuridão. Sun e Grim tentavam usar seus instintos para seguir os passos no escuro e desviar dos obstaculos à frente.
Logo enchergaram a luz da lua. Vinha de uma clareira. E o vulto estava indo para aquela direção. Correram mais rápido, tentando atacá-lo antes que chegassem na clareira. Mas logo já estavam em frente a ela e a luz da lua deixava o vulto definido.
Sun parou subitamente. Largou sua espada no chão, surpreendendo Grim. Olhou para o rapaz de cabelos escuros na sua frente, com uma roupa escura. Olhos castanhos escuros e expressão impaciente. Ele tinha uma espada na mão, e olhava para Sun sem deixar transpor o que estava sentindo. Mas provavelmente, sentia-se como ela.
- Tsuki? - ela falou, baixo, quase sem conseguir liberar sua voz.
- Sun - o homem disse. - minha irmã.
12 Anos Atrás
Com dez anos, Sun estava sentada sobre a humilde mesa da pequena cozinha de sua casa, desenhando em uma folha. Sua mãe lavava a louça do almoço ao seu lado, na pia. Os cabelos negros pretos amarrados, as mãos cheias de sabão. Ela olhou para a filha e sorriu. Seu pai tinha chegado a pouco tempo de uma missão. Estava sentado sobre o sofá na sala que era junto com a cozinha escorado em sua espada que tinha a lâmina em direção ao chão.
Sun havia desenhado seu pai empunhando a espada e estava pintando quando batidas soaram na porta.
- Lana Lune. Aqui é o exército de Kahn. Tem um minuto para vir até aqui fora, antes que sua casa seja invadida. Você está cercada.
Os olhos de Lana viraram-se apreensivos para a porta. Sun, sem saber o que estava acontecendo, parou de desenhar, nervosa. Seu pai, confuso, se pôs de pé e olhou para a esposa, ainda segurando a espada...
- Lana? - ele falou. - O que é isso Lana? O que aconteceu?
- Sinto muito, querido. - ela falou, sorrindo.
- Seja o que for, se entregue. Seja o que for que tenha feito, eu vou ajudá-la. Falarei diretamente com sua majestade. Por favor Lana, não...
Mas antes que ele pudesse terminar de falar, Lana rapidamente tirou uma pequena faca de sua roupa e agarrou agressivamente o braço da filha, puxando-a para perto e pousando a faca perto de seu pescoço.
- Sinto muito, Sun. - ela disse, com uma expressão triste.
Lana começou a andar em direção a porta dos fundos, carregando a filha consigo. Seu marido já havia empunhado a espada e a acompanhava vagarosamente, cauteloso, com medo de que sua filha pudesse se ferir.
- Lana, isso é loucura - ele falou. - Solte Sun. Venha comigo. Vamos ao castelo e vamos esclarecer tudo isto.
Ela meneou a cabeça negativamente.
- Me desculpe - ela disse. - Se ainda eu não tivesse... - parou para pensar por um tempo, e então retomou sorrindo: - Não, estou feliz que tenha sido assim.
Assim que chegou perto da porta, atirou Sun para sempre, fazendo o marido correr para segurá-la, permitindo sua escapatória. Sun e o pai ficaram sozinhos. Ele agachado segurando a filha. Enquanto escutavam a luta do lado de fora.
Presente
- Sinto muito comandante - Grim desculpou-se.
Sun fitou ainda por algum momento o rosto branco do cadáver de sua mãe. Depois, limpou as lágrimas que começavam a aparecer e deitou carinhosamente o corpo morto de longos cabelos negros no chão. Levantou-se, e, esfregando os olhos uma vez mais, virou-se para Grim.
- Tudo bem, esqueça. Estava morta já. Ela morreu a muito tempo.
Yuki aproximou-se, curiosa, olhando de longe todos aqueles cadáveres brancos no chão.
- Morta? - ela indagou. - O que significa isso?
Grim abriu a boca para responder, mas parou quando viu Sun se abaixar em frente da menina.
Sun a olhou, ainda com os olhos marejados. Suspirou e respondeu a pergunta da menina:
- Significa, Yuki, que ela foi embora. E nunca mais voltará.
- Mas ela está ali - discordou Yuki, apontando para o corpo.
Sun abanou a cabeça para os lados.
- Ela não está ali. Aquilo é onde ela estava. Como uma casa.
- Como o buraco?
- Mais ou menos.Yuki, uma pessoa que morre nunca mais poderá falar. Nunca mais poderá comer, andar. Fazer nada.
- E por que isso? Por que pessoas morrem?
Sun levantou e fitou as árvores a sua frente.
- Por quê? Também imagino: por quê? - ela então dirigiu-se a Grim. - De qualquer modo, vamos andando. Precisamos achar um modo de voltar para o acampamento.
E os três seguiram para dentro da floresta.
* * *
- Nos encontramos então.
E após falar isso, uma garota de cabelos vermelhos e olhos negros desceu da árvore vestindo um vestido vermelho como seus cabelos.
- Prazer em conhece-los. Ou quase isso. Dirijam-se a mim como Ártemis, se é uma bruxa que procuram.
- Impossível - Nani gritou, ainda sentada, olhando espantada para a garota.
Iwazaru também parecia espantado.
Vlad no entanto ignorou os companheiros e tomou a dianteira, com a mão escondida embaixo do grande manto preto. Órion estava bem a sua frente, em guarda, mas sem fazer uma única tentativa de ataque. Esperava pacientemente enquanto a garota seguia para seu lado.
- Encontrei uma amiga sua. Sun, eu acho. É, isso mesmo. Embora ela não tenha tido a educação de se apresentar - Ela sorriu maliciosamente. - Quanto a vocês. Alguns eu não conheço. Outros dispensam apresentações. De qualquer forma, estou sem tempo. E não quero aprender nomes de inuteis de qualquer modo. Portanto, lutem com Órion. Quero saber se me serão uteis de algum modo.
Falando isso, ela deu alguns passos para trás e esperou que Órion começasse o ataque. Vlad se pôs mais na frente, deixando claro que seria o oponente. Quando Órion avançou para o primeiro ataque, Vlad desviou e tirando a mão direita escondida em seu manto aplicou um golpe com a espada que foi barrado pela espada do oponente.
- Este modo de luta. Não é um pouco covarde? - Órion estatou.
- Não luto por honra. Tenho coisas mais importantes para proteger - falou Vlad sorrindo.
Escondeu novamente os braços dentro da manta e dessa vez quando atacou, usou o braço esquerdo. Por pouco não atingiu o inimigo. Não saber de qual dos lados viria o ataque aparentemente estava deixando Órion confuso.
O grande guerreiro recuou e estudou Vlad. Este avançou novamente, novamente atacando e sendo bloqueado com o braço esquerdo. Órion bloqueava todos os ataques de Vlad, mas não tinha oportunidade para atacar. De modo que tentava se manter distante para aproveitar alguma chance. Como era muito pesado, também achava díficil desviar-se.
A bruxa sorria de longe, ao ver a luta. Não percebendo os olhos de Nani e Iwazaru que a olhavam espantados ainda. Drake, que se aproximara dessa vez, havia ficado em guarda logo atrás do local onde a batalha acontecia.
Mais um ataque com a direita que Órion bloqueou com a espada. Vlad imaginava se, mesmo acertando, seu ataque teria algum efeito naquela armadura. Mas seus pensamentos mudaram quando errou por centimetros no último golpe e a espada do inimigo passou raspando ao seu lado. Aquele golpe teria sido fatal. A força física de Órion era impressionante.
Vlad recuou e parou,observando o inimigo. Atento a qualquer movimento seu.
- Impressionante essa força. Mas força física não é tudo, sabia? Seu ataque é muito lento. - ele sorriu.
- Força física? - Drake falou, logo atrás de Vlad. - Então deixe esse comigo.
Falando isso, ele saiu investindo com a espada em Órion.
- Não, idiota! - gritou Vlad.
Mas era tarde. Antes da espada de Drake atingir Órion, a espada de Órion havia esmagado parte da armadura preta de Drake perto da barriga, e sangue pingava no chão.Quando Órion tirou a espada, Drake se jogou ao chão, gemendo de dor. Vlad correu para salvá-lo, mas o inimigo já havia guardado a espada por um pedido da bruxa.
Vlad segurou Drake e começou a carregá-lo para o interior de uma das tendas.
- Esse é inútil - falou a garota. - Mas você, guerreiro - apontou para Vlad. - Você me pode ainda ser útil. De qualquer modo, estou indo por agora. Você virá comigo?
Ela apontou para alguém além de Vlad. E seguindo o olhar de Nani, ele percebeu que era Iwazaru, que estava de pé.
Vlad parou no caminho para a tenda e observou seu companheiro ir em direção à bruxa. Nani nada falou, mas olhava preocupada. Iwazaru parou diante da garota com os longos cabelos vermelhos e se curvou. Ela tocou sua cabeça e seus cabelos loiros e sorriu.
- É bom vê-lo de novo também, meu guerreiro, Iwazaru.
Perplexo, Vlad tentou falar. Mas percebeu que não havia o que dizer. Ainda com Drake apoiado em si, viu quando a garota, Órion e Iwazaru sumiram entre as árvores da floresta.
* * *
Estava quase anoitecendo e Grim, Sun e Yuki ainda andavam pela floresta, sem idéia de para onde seguir.
- Está escurecendo. Será melhor acharmos algum lugar para passarmos a noite logo. - estatou Sun.
Yuki continuava fascinada por tudo ao redor para perceber, mas Grim concordou com a comandante.
- Vamos encontrar algum lugar onde poderemos vigiar ao redor, seguros.
Por alguns minutos mais andaram, até Yuki chamar atenção.
- O que é aquilo? - falou ela apontando para um lugar que parecia um pequeno lago.
Ao chegarem perto, Sun colocou a mão na água e a tirou.
- Está quente. Uma fonte de água quente. Nesse lugar. É estranho.
- Podemos ficar aqui. - concordou Grim, olhando ao redor. - É um bom lugar, e parece seguro.
- Sim - Sun concordou ainda olhando para a fonte. - Esse lugar me dá vontade de... Yuki - chamou. - Quer tomar um banho?
- Banho? O que...
- Esquece, venha aqui.
Sun pegou a garota pela mão e levou-a até a água da fonte.
- Soldado Grim - ela falou. - Não preciso falar, mas, não se vire para cá.
Grim somente cravou sua espada e sentou-se no chão, olhando para a direção oposta da fonte. Já estava escuro, mas uma estranha luminosidade saia da água.Despindo-se da armadura e da roupa e ajudando Yuki a retirar seus trapos velhos e imundos, Sun entrou na água, trazendo a menina consigo, monstrando onde era raso para ela poder ficar. Sun mergulhou a cabeça, levantando de novo com os cabelos molhados. Yuki a viu e a imitou, achando aquilo engraçado. Os cabelos compridos de Yuki tamparam seu rosto. Ela começou a dar risada. Sun a observou e sorriu.
- Sabe, seria melhor lavarmos aqueles seus trapos sujos também.
Falando isso ela saiu da água para pegar a roupa de Yuki e lavá-la.
- Quando voltarmos, eu arrumo uma roupa para você. - falou, enquanto lavava aqueles panos.
- Eu vou morar com você? - perguntou Yuki, retirando os longos cabelos castanhos do rosto.
Sun parou, pensativa e espantada.
Morava sozinha, mas nunca tinha imaginado ter uma criança morando na mesma casa. Até onde sabia, não gostava de crianças.
- Eu...não sei. Quando voltarmos podemos decidir isso. Há orfanatos no reino também.
- Orfanatos?
- Esquece...
Ficaram por algum momento na água. Tempo suficiente para a roupa de Yuki ficar menos húmida. Sairam da água e vestiram as roupas de novo, Sun demorou um pouco para recolocar toda a armadura. Seus cabelos ondulados estavam agora lisos pela água.E Yuki carregava um pouco dos cabelos pesados.
- Gostaria de ter uma toalha - falou Sun, ao se sentar, perto de Grim.
- Vocês podem dormir quando quiserem, fico de guarda hoje. - ele falou.
- Você não precisa ficar a noite toda acordado, eu...
- A comandante ficou a noite acordada. Deve estar com sono.
Sun o olhou pensativa. Por fim concordou.
- Tudo bem soldado. Aceito desse modo.
Sun e Yuki deitaram em um gramado ali perto. Yuki chegou-se mais perto de Sun, embora incomodada, a comandante não falou nada. Após alguns minutos, nenhuma das duas havia dormido ainda.
- Estão sem sono? - perguntou Grim.
- Como sabia que não estava dormindo? - perguntou Sun.
- Eu percebo.
- Estava pensando em Kahn. Em meu pai. Em...
- Sua mãe?
- Sim...
- Disse que seu pai desapareceu?
- Sim. Já faz algum tempo. Foi na época que a princesa de Kahn desapareceu também. Você lembra disso?
- Snow... - Grim baixou os olhos.
- Snow, isso mesmo. A princesa desaparecida. Meu pai desapareceu naquela época. Eu tinha doze anos. Acho que deve haver alguma ligação.
Grim olhou para sua direção.
- Seu pai tinha alguma relação com a princesa Snow?
- Ele era um guerreiro do reino. Mais do que isso. Ele era a pessoa mais próxima de sua majestade. Fora sua família, é claro. Meu pai uma vez salvou a vida da filha dele.
Grim ficou pensativo. Yuki olhava e escutava a conversa, em silêncio, pela primeira vez. Sun parecia triste quando lembrava do passado. Grim, por algum motivo, também parecia.
- Minha mãe... - Sun voltou a falar. - Ela traiu Kahn. Não posso perdoá-la. Eu a odeio. A odeio. Mas...Quando vi ela lá. Daquele jeito. Eu...
Ela ficou em silêncio. Grim nada falou em consideração. Entendia o dilema de Sun. Era uma guerreira de Kahn. E era ensinada a amar o reino acima de qualquer coisa. Era essa a regra para Kahn. Uma lugar perfeito, ninguém tinha o direito de odiá-lo. Pelo menos era o que tentavam passar.
- Meu pai já esteve no exército de Kahn também - Grim falou.
- Por que ele saiu.
- Não sei direito. Mas ele não me deixava entrar. Ele só concordou porque...
Ele parou. E dessa vez foi Sun que ficou em silêncio. Havia, obviamente, algo que Grim ficava triste ao lembrar. E Sun imaginou que não era hora de perguntar o que era. E não era do assunto dela também.
A comandante olhou para o rosto já adormecido de Yuki. A menina estava em sono profundo. Provavelmente apreciando por não ter que dormir outra noite em um buraco apertado. Ela passou a mão pelo cabelo da menina, afastando uma mecha de seu rosto. Mas tirou-a logo, assustada por ter feito aquilo.
- Soldado.. - ela falou, mais baixo agora para não acordar Yuki. - Você já matou alguém? Alguém vivo, quero dizer.
Grim meneou a cabeça, negativamente.
- Eu já. Quando fui virar comandante, fui obrigada a matar um prisioneiro. É uma espécie de teste, ou algo assim. Ele estava vestindo máscara. então não vi seu rosto. Mas o que me assustou foi que...foi fácil demais. Foi simplesmente jogar a lâmina da minha espada no peito dele. Eu tinha consciência de que uma vida estava sendo perdida. Mas não era a minha, então eu não conseguia sentir a seriedade daquilo. Parecia algo tão...comum.
- Eu acho que saber se é comum ou não vale mais do que sentir - Grim falou.
- É comum. Quando alguém morre, sua vida acaba, simples. Não deveria ser algo triste para ela. Ela não vai mais sentir. Ainda assim...
- Comandante. Você devia estar falando assim?
Sun parou. Pensou e respondeu:
- Você tem razão. Era uma ordem de Kahn. Inquestionável.
- Algo assim, imagino...
- Vou dormir, soldado.
- Boa noite, comandante.
* * *
Nani estava ao lado do ferido Drake. Uma atadura amarrava seu corpo encima do ferimento. Ela o observava, desdenhosamente. Mas ainda sorria, não um sorriso satisfeito, mas irônico.
- Sou uma babá novamente então, hein...
Ignorando os gemidos do companheiro ferido, Nani saiu da tenda, bem a tempo de ver Vlad partindo.
- Ora - ela disse. - Quem está saindo no meio da noite?
- Nani... - Vlad virou-se para ela, o rosto parecia preocupado. - Estou indo atrás de Sun.
- Ah, é isso. Onde está aquela confiança que você tinha mais cedo de que sua amiguinha podia lidar com qualquer coisa?
- Até aquele momento ela podia. Mas estou preocupado agora...com Iwazaru.
- Ah...
Nani deu dois passos para frente para ver Vlad melhor.
- Se fossem só os inimigos, Sun daria um jeito. Mas Iwazaru. Ele é um soldado. Ela acha que ele está sob suas ordens. Podem usá-lo para atacá-la de surpresa. Bom, é isso que eu faria se fosse nossa inimiga afinal. E ela sabe onde Sun está. Sozinha, ela estará em problemas. Ainda se eu soubesse se Grim a encontrou.
- E suponho que devo ficar sozinha com esse peso morto enquanto isso?
- Você protege o acampamento Nani. Até que voltemos. E também...
Ele encarou Nani. Ela estava sorrindo, ele não.
- Tenho a impressão de que você sabe de algo sobre tudo isso. Mas não vai me contar, vai?
Nani balançou a cabeça negativamente.
- Então fique por aqui. Não será de ajuda nenhuma indo junto. Certifique-se que Drake se cure. Podemos precisar entrar em batalha logo.
- Contra ela? - um leve sinal de preocupação percorreu o rosto de Nani. Não precisou dizer a quem "ela" se referia.
- Sim. Algo contra?
- Será um prazer. - ela falou, sorrindo novamente.
- Então estou indo - Vlad se virou. - Tente não fazer nada até eu e comandante Sun voltarmos.
Após Vlad desaparecer entre as árvores, Nani sussurrou, com uma risada maliciosa:
- Se voltarem...
* * *
Grim começou a sacudir Sun no meio da noite:
- Comandante...comandante, acorde.
Sun abriu os olhos.
- Há alguém aqui perto. Há um vulto entre as árvores. Eu o vi umas três vezes.
Sun levantou rápido e segurou sua espada.
- Deixe isso comigo soldado, mas será melhor que venha junto para vigiar que eu não sofra nenhum ataque por trás. Agarre Yuki, não podemos deixá-la aqui.
- Devo acordá-la.
Sun olhou para a menina que dormia com uma expressão tranquila no rosto.
- Não...tente deixá-la dormindo.
Gentilmente, Grim levantou Yuki no chão e carregou-a no colo. Não conseguiu segurar todo seu cabelo, que ficou esvoaçando com o vento da noite.
Seguiram para a direção que Grim havia indicado. Sun na frente, segurando sua espada em posição de ataque. Atravessaram as árvores e penetraram em uma parte mais fechada da floresta. Grim cuidava para que nenhum galho batesse em Yuki e a acordasse. Ao mesmo tempo que cuidava para que não sofresse um ataque surpresa.
Em algum momento, Sun visualizou um vulto e seguiu correndo para sua direção. Grim a seguiu, mais cuidadoso. As árvores estavam ficando mais fechadas, e o caminho mais díficil de passar. Mas Yuki dormia em paz, mesmo no meio daquilo tudo. A luz da lua não os alcançava naquela mata fechada, e estava tudo em escuridão. Sun e Grim tentavam usar seus instintos para seguir os passos no escuro e desviar dos obstaculos à frente.
Logo enchergaram a luz da lua. Vinha de uma clareira. E o vulto estava indo para aquela direção. Correram mais rápido, tentando atacá-lo antes que chegassem na clareira. Mas logo já estavam em frente a ela e a luz da lua deixava o vulto definido.
Sun parou subitamente. Largou sua espada no chão, surpreendendo Grim. Olhou para o rapaz de cabelos escuros na sua frente, com uma roupa escura. Olhos castanhos escuros e expressão impaciente. Ele tinha uma espada na mão, e olhava para Sun sem deixar transpor o que estava sentindo. Mas provavelmente, sentia-se como ela.
- Tsuki? - ela falou, baixo, quase sem conseguir liberar sua voz.
- Sun - o homem disse. - minha irmã.
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